Conheço vinhos = sou sofisticado e moderno.
Quanta besteira se tem dito e feito em torno dos vinhos....
Tadinhas das uvas, elas têm de dançar de acordo com a música dos pratos, aliás, música não: da química!
Na verdade, meus queridos, tudo gira ao redor da química, do bom gosto e do bolso.
Há aquela velha regra que diz: Vinho tinto com carne vermelha; Vinho branco com carne branca.
Nada poderia ser mais tedioso do que seguir uma regra desta.
Daí, perguntam-me: Como assim? Ensinaram-me que esta é uma lei de ouro.
Nossa! Então, meus caros, vamos rever conceitos relacionados às uvas para termos a certeza de que não estamos a ser injustos e, ou até mesmo vulgares, com o seu nascimento, desenvolvimento, morte e renascimento (quando se transformam em vinho e nos dá prazer).
O que é o vinho?
O vinho é uma bebida alcoólica da qual muitos falam, mas poucos a conhecem e sabem desfrutá-la em toda a sua plenitude e potencialidade. A grande maioria dos pouquíssimos bebedores de vinho aqui no Brasil pensa que ele propicia apenas o prazer de bebê-lo, com seus efeitos suavemente inebriantes e desconhecem as inúmeras vantagens que ele oferece. Por exemplo:
Desde há muito tempo que os amantes do vinho e alguns poucos médicos acreditam empiricamente que o consumo moderado de vinho faz bem ao coração, auxilia o sistema digestivo e reduz o stress. Mas, hoje, com o avanço das pesquisas científicas, são inúmeras as publicações que confirmam aquela velha crença empírica.
O vinho é a bebida quotidiana de centenas de milhões de pessoas, principalmente dos habitantes das regiões temperadas do hemisfério norte, onde os vinhos começaram a ser produzidos. Atualmente é que estão sendo iniciados os cultivos de videiras no hemisfério sul o que, certamente, acarretará o aumento do consumo de vinho neste hemisfério.
Mas, antes de iniciarmos qualquer estudo sobre vinhos, é necessário que se defina o que é vinho e alguns termos correlatos, amplamente usados quando se fala de vinhos.
Vinho: é a bebida obtida pela fermentação natural do suco da uva (mosto), transformando em álcool o açúcar nele contido.
ºGL – Grau Gay Lussac :o mesmo que quantidade percentual de álcool, em relação ao volume da bebida.
Vinificação: é o termo coletivo que engloba todas as operações e processos que transformam a uva em vinho, inclusive a fermentação.
Connaisseurs: são pessoas que entendem e gostam de vinhos.
Viticultura: é o cultivo da uva.
Safra: é o ano em que é feita a colheita da uva, ou do nascimento do vinho e serve para guiar o consumidor na escolha de um bom vinho, informando, por outro lado, o seu tempo de envelhecimento. A qualidade final do vinho é grandemente influenciada pelo ano de sua fabricação, ou seja, sua safra. Dizem os entendidos que os anos de grandes safras são anos impares.
Cepa: designa, genericamente, uma variedade de uva. Há uma grande quantidade de cepas, calcula-se que no entorno de cinco mil, mas apenas umas poucas dezenas interessam ao amador de vinho. As outras ficam para os profissionais. Para todas as combinações de clima e solo, há sempre uma cepa mais adequada ao cultivo.
Uva: é o ingrediente básico na fabricação do vinho. Fruto da videira, vegetal capaz de crescer em todos os tipos de clima e de solo, exceto nas regiões super geladas dos extremos norte e sul e nas superaquecidas regiões equatoriais.
Mosto: é o suco extraído da uva, com ou sem cascas, antes de sofrer o processo de fermentação.
Vitis Vinífera: espécie de uva a partir da qual se elabora a maior parte da produção mundial de grandes vinhos. Espécie apropriada para a fabricação de vinhos, provavelmente originária do Cáucaso, se difundiu pela Europa e hoje é cultivada em larga escala nas costas do Mediterrâneo. Como exemplo de "vitis viníferas" podemos citar as cepas: Cabernet, Merlot, Semillon, Riesling, Sauvignon e muito mais.
Vindima: é a atividade de colher a uva, ou seja, a colheita da uva. A escolha do momento próprio para a colheita é de vital importância para se obter um vinho com a qualidade e características que se deseja.
Videira: planta, espécie vegetal, que produz a uva.
Vinha: porção de terreno plantada com videiras.
Vinhateiro: pessoa que trabalha no cultivo da uva e na fabricação do vinho.
Enologia: ciência que estuda o vinho, procurando melhorar sua qualidade final, através de interferências e controles no seu processo produtivo.
Enófilo: amante do vinho.
Enólogo: cientista do vinho.
Fermentação Alcoólica: processo enzimático que transforma o açúcar contido no mosto da uva em álcool, gás carbônico e calor, produzindo o vinho.
Leveduras: são os fungos microscópicos unicelulares encontrados, naturalmente, sobre as cascas das uvas e responsáveis pela fermentação alcoólica.
Saccharomices Cerevisae: família de fungos ou leveduras encontrada nas cascas das uvas que normalmente são responsáveis pela fermentação do suco de uva.
Propriedades Organolépticas: O odor, a cor e o sabor, constituem o conjunto das percepções sensoriais que se chamam propriedades organolépticas de uma substância.
Sommelier: Profissional com grandes conhecimentos enológicos, encarregado do serviço de vinhos nos salões dos grandes restaurantes, sendo uma das suas tarefas aconselhar os clientes a escolher os vinhos que melhor estejam de acordo com as comidas pretendidas.
Para se conhecer um pouco sobre vinhos, é necessário, primeiramente, que se beba vinho. E para poder apreciar o vinho que se bebe, são usados quatro dos cinco sentidos que o homem possui: visão, olfato, paladar e tato. Utilizando estes sentidos é que se pode comparar um determinado vinho com outros vinhos tomados anteriormente, despertando uma certa curiosidade no sentido de conhecê-los ainda melhor, para poder classificá-los estabelecendo uma hierarquia, gradação e classificação próprias para sua orientação e programação de consumo, conseqüentemente, suas próprias regras pessoais.
Aprenda a conhecer o que você gosta e a exercer, sem medo, suas preferências. Se, por qualquer razão, você preferir beber um vinho branco com o seu pedaço suculento de carne vermelha, não hesite em fazê-lo. É assim que se começa.
A velha regra de que vinhos tintos acompanham carnes e que vinhos brancos vão bem com peixes, a conhecida e decantada regra das cores, deve ser considerada apenas como uma indicação ou orientação e não como uma lei. Não existem padrões rígidos a serem seguidos. Existem apenas sugestões, baseadas nas experiências dos outros; construa sua própria experiência e seus próprios padrões. Evidentemente que se você usar uma parte da experiência dos outros para construir a sua, economizará tempo, vinho e dinheiro, para chegar ao seu ponto ótimo.
Pois bem, o que acabaram de ler é um trecho de um dos textos que escrevi sobre vinhos para meus alunos do Ensino Médio da Escola Pública.
Acham que eles se sentem sofisticados ou modernos?
Categoticamente: Não!
Eles estão felizes por saber que Padre Cícero não é vinho!